Na pacata (e imaginária) cidade de Santana do Agreste do Sul, onde o vento sopra e o povo corre do cheiro que sai da boca de alguns, um herói improvável surgiu para desafiar os poderosos: Bafo de Bode, o homem cujo hálito poderia derrubar um javali a dez metros de distância. Ex-funcionário do matadouro e atual "especialista em tudo", Bode tinha um dom: acreditar piamente que sua opinião era a mais inteligente do povoado, mesmo quando o único consenso era que ele devia ficar calado—ou, no mínimo, mastigar um cravo.
Após as últimas eleições, Bafo de Bode decidiu que era hora de cobrar os políticos. Não porque ele tivesse votado neles (acabou votando nele mesmo, mas fez uma miséria de votos), não porque tivesse participado de campanha (a única coisa que ele fazia era assustar os candidatos com seu sopro venenoso), mas porque, segundo ele, "o povo tem que se impor!".
Armado de um megafone (que os vizinhos imploravam para ele usar longe deles), Bode marchou até a prefeitura.
— Cadê os projetos? Cadê o asfalto? Cadê o posto de saúde?, berrava, enquanto os presentes recuavam, sufocados pelo aroma de cabrito estragado que emanava de suas palavras.
O prefeito, esperto, tentou negociar:
— Bode, meu amigo, vamos marcar uma reunião lá no meu gabinete... claro, com muita ventilação...
Mas Bode não se deixou enganar. Ele sabia—ou pelo menos achava que sabia—que era um gênio da política. Afinal, assistia a todos os debates e os programas políticos na "internétcia"… mesmo que fosse só para gritar: ISSO É TUDO MENTIRA!" - e continuar a assombrar a plateia com seu bafo.
No final, sua grande cobrança terminou como todas as suas ideias brilhantes: com ele sendo convidado gentilmente a se retirar (ou, nas palavras do segurança, "Sai, Bode, pelo amor de Deus, você tá matando o jardim!".
Moral da história: Ter bafo de bode é fácil. Difícil é ter noção. E mais difícil ainda é convencer alguém a te levar a sério quando seu discurso vem com um cheiro de derrota e capim azedo.
Inspirado livremente no personagem de "Tieta" e em todo "especialista de boteco" que acha que política se resolve no grito (e no bafo). 😆